O preconceito através de imagens

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O preconceito através de imagens psicopedagogaandreagarcez.blogspot.com - 1435 dias atrás

As imagens que circulam no nosso cotidiano - outdoors, televisão, revistas, jornais,internet, etc. estão impregnadas com nossa visão de mundo, nossos estereótipos e preconceitos. Ha algum tempo atrás iniciou-se a discussão sobre a invisibilidade de grupos, como os negros, por exemplo, que quase não eram representados nessas imagens, o que começou a mudar, ainda que de forma tímida. Mas como os negros são representados atualmente nessas imagens?
Outro dia, estava preparando uma dinâmica, para uma turma de oitavo ano, sobre mudança e transformação, uma vez que aproxima-se o final do Ensino Fundamental e o início do Ensino Médio. Para isso queria trabalhar com imagens, entre elas fotos de bebês, crianças, jovens e adultos, que retratassem o crescimento e o desenvolvimento humano. Tentei, no entanto, oferecer alguma diversidade nessas imagens, procurando não cair apenas nos padrões das pessoas brancas, limpas, loiras e felizes. Para meu espanto, foi preciso garimpar para encontrar.
Quando digito "bebês" no Google - façam a experiência - aparecem apenas bebês brancos. São os típicos "bebês johnsons". Depois da oitava página, quando os poucos bebes negros aparecem (apenas três em cerca de 25 páginas o que corresponde a quase 500 imagens), são ao lado de bebês ou pessoas brancas, evidenciando o contraste, como na foto de Anne Guedes, onde uma imensa mão branca segura um bebê negro com asas de anjo. Na página 23 aparece uma menina negra, em uma foto montada com uma arma de fogo! No blog onde a imagem foi publicada originalmente (aqui) fala-se de um novo esquema de organizações terroristas contra os Estados Unidos. Há ainda uma foto de bebês orientais, no colo de pais que estão vestidos de sumô. Para encontrar bebês negros é preciso digitar "bebês negros" e muitas são as fotos onde eles aparecem abraçados ou ao lado de um bebê branco, em fotos do tipo da campanha da marca Benetton que provocou polêmica anos atrás. Hoje parece que essas imagens tornaram-se comuns. Mas será que elas denunciam o preconceito como parecia ser a intenção inicial? Ou o reforçam? Porque quando pensamos em bebês as imagens que nos vem à cabeça (e nas primeiras páginas do Google) são as de bebês brancos e fofinhos e quando pensamos em bebês negros, aparecem as imagens de negros e brancos lado a lado, convivendo, ou, como em outras imagens encontradas, três ou quatro bebês de diferentes etnias?
A pesquisa de imagens provocou-me muitas reflexões e como se pode ver ainda estou nos bebês...
Mas os estereótipos estão também nas imagens de crianças, jovens, adultos e idosos. Estes últimos aparecem sempre sorrindo, em fotos de casais, de mãos dadas e, pasmem: de costas! Andando de costas. Indo embora? Não preciso mencionar que não encontrei idosos negros, orientais, índios, pobres ou obesos. Enfim, só queria dividir minhas reflexões sobre o tema, e pensar o quanto reforçamos esses estereótipos ao utilizar as mesmas imagens quando as selecionamos para trabalhar com as nossas crianças/adolescentes.




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